E-Ativismo: que país você quer para seus filhos?


(Caso ache este texto útil, repasse-o para as pessoas conscientes que você conhece. Caso queira, altere-o, aumente-o ou diminua-o, assumindo assim sua autoria ou co-autoria livremente)


Imagine-se em uma situação hipotética onde você foi admitido em um novo emprego com as seguintes características:
 
Benefícios
Salário altíssimo, mesmo para padrões de classe média-alta brasileira; carga horária semanal de no máximo 24 horas, em
tempos de pico de trabalho; 2 meses de férias por ano, no mínimo; 8 passagens aéreas por mês; liberdade total para contratar quem você quiser, também por salários altíssimos,  para montar sua equipe de trabalho; em caso de necessidade de trabalho extra durante o período de férias, na realidade você não precisará trabalhar, mas apenas receber o salário em dobro.
 
Atribuições
Seu chefe jamais, durante sua permanência no referido emprego, lhe dará nenhuma tarefa para ser realizada, pois você tem livre
arbítrio para fazer (ou deixar de fazer) o que quiser; você tem estabilidade total no emprego, não podendo ser demitido de maneira alguma, a não ser que tenha sido pego em alguma situação flagrantemente ilegal e indignante, e que esse flagrante tenha sido colhido por pelo menos uns 10 órgãos de imprensa; seu chefe nunca aparecerá nem ligará para perguntar nada a respeito do que você está fazendo ou  pretende fazer; quando você se aposentar, não estará sujeito aos limites do INSS, pois terá aposentadoria integral.
 
Agora, coloque-se hipoteticamente na posição deste empregado, e responda para sí mesmo: você se mataria de trabalhar, procurando as tarefas mais importantes e prestando contas ao seu desavisado chefe sobre tudo que faz? Guarde a resposta para você mesmo.
 
Agora, passemos da retórica à realidade. Você já é personagem desta história, e a mesma é real. Infelizmente você não é o empregado, mas o chefe. Por algum tipo de hipocrisia subliminar coletiva, acreditamos que nossos funcionários (nesta história descrita) trabalharão com todo o afinco e diligência, estejamos nós fiscalizando ou não. Afinal, isso não é assim no mundo todo, mesmo nas democracias mais maduras?
 
Os "empregados" podem ser iguaizinhos, mas os "chefes" são bem diferentes.

Vejamos:
Você, principalmente se já esteve durante algum tempo em países com democracia mais consolidada, já deve ter visto ou ouvido
"algum maluco" falar em "escrever para o meu senador" ou "escrever para o meu deputado" (genericamente chamados "representatives" em lingua inglesa). Certamente, baseado em sua(nossa)  cultura você deve ter pensado: - será que esse cara não sabe que isso não adianta nada???
 
Passemos aos fatos:
Nas sociedades mais avançadas, e após o advento da Internet, é bastante comum em páginas ou sites que defendam qualquer causa coletiva a inserção de links(atalhos) para que os frequentadores das mesmas entrem em contato, via E-Mail ou telefone, com seus representantes (em ingles: representatives, senator, congressman), defendendo a causa à qual aquela página ou site se dedica.  Um bom indicador de frequência de qualquer palavra ou frase é uma consulta aos mecanismos de buscas, entre os quais o Google
(quem já não fez isso para escolher a grafia correta de alguma palavra?). Vamos comparar quantas páginas ou sites temos lá e aqui. Para isso vamos usar alguns termos comuns ao nosso tema, usando o Google ( http://www.google.com.br ) lembrando sempre que quando se consultam frases, as mesmas devem estar contidas entre aspas:
(clique para ver os números no Google):
 





Certamente esses milhares de links em língua inglesa não são todos em defesa de causas nobres em termos de sociedade como um todo, mas sim em defesa dos mais variados grupos, o que não deixa de representar o sistema de democracia representativa (para o bem ou para o mal). De qualquer maneira, pelo menos agora você já sabe, de maneira inquestionável, porque nosso país é como é, e provavelmente concorde também que de nada adianta mudar presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores sem uma mudança também na mentalidade dos "chefes".Quem sabe também isso aumente a percepção sobre o adjetivo da expressão "Democracia Representativa".
A Internet nem nos deixa mais a desculpa da era do correio, onde enviar cartas aos representantes custava tempo e dinheiro (mas mesmo assim já era prática comum nesses paises).
 
Não poderia deixar de encerrar este texto com mais uma comparação, "ativismo via Internet":
"Internet activism" 58.300 ocorrências
"ativismo via internet" 19 ocorrências 
"ativismo pela internet" 10 ocorrências
 
 
Pura ilusão?

Vejamos:

À primeira vista, receber grande quantidade de E-Mails não deveria causar preocupação nenhuma, pois bastaria ignorá-los. No entanto, sabe-se que existe somente uma coisa capaz de levar um político, em qualquer país do mundo, a ter convulsões: o risco de não se reeleger.
Na medida que uma parte daqueles E-Mails pode estar vindo da base daquele político, está formado o elo.

Vejamos exemplos da vida real:

Em dezembro, milhares de E-Mails travaram os servidores do Congresso, tendo papel preponderante no retrocesso do aumento de 91% no salário dos parlamentares.
 
Em novembro, após receber mais de 6.000 E-Mails, o senador Eduardo Azeredo retirou da pauta o projeto que tentava impor controle à Internet, obrigando a identificação de quem entrasse na rede.
 
Em março de 2005 milhares de E-Mails invadiram o congresso (E-Mail: cidadao@camara.gov.br) , fazendo com que o deputado Severino Cavalcanti retrocedesse em sua proposta de barrar pesquisas com as células tronco.
 
Novamente em 2005 milhares de E-Mails invadiram o congresso, ajudando a fazer com que o deputado Severino Cavalcanti retrocedesse em sua proposta de aumento dos parlamentares.
 
Caso você venha a querer assumir a chefia, escolha o nível hierárquico dos funcionários da sua empresa:
 
Escreva para o seu senador:
 
Escreva para o seu deputado federal:
 
Escreva para o seu deputado estadual: 
 
Escreva para o seu vereador: